Hospital de campanha criado por Dória para tratar Coronavirus não tem água , é sujo, não tem medicamentos e nem equipamentos

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Pacientes denunciaram falta de água, EPIs e medicamentos, chuveiros que não esquentam e banheiros sujos no Hospital de Campanha do Anhembi, onde 18 doentes já morreram por coronavírus.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo hospital da Zona Norte da capital, informou que o problema a falta de água no lugar foi pontual, durou um dia e foi resolvido.

Segundo a pasta, não há registros de falta de Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs, e nem de medicamentos na unidade hospitalar, que tem os estoques abastecidos.

“Faltam equipamentos. Faltam medicamentos. Os banheiros sujos. Falta água. Quando tem água, o chuveiro não esquenta, com exceção em determinados horários”, denunciou José Ricardo Papa, que ficou nove dias internado no Hospital de Campanha do Anhembi para tratamento contra Covid-19 .

“O local pra mim é inapropriado pra isso. Alguns enfermeiros e alguns médicos estão lá realmente pra salvar vidas. Mas no local, como eu disse, falta muita coisa”, completou José, que trabalha com organização escolar.

Antes de morrer, o paciente Mário Roberto Silva, de 49 anos, mandou mensagens por celular para a mulher reclamando da falta de água quente nos chuveiros do Hospital de Campanha do Anhembi.

“Aqui é difícil, a enfermeira pegou a roupa, mas não tinha quem dar banho, amor. Os chuveiros aqui de madrugada não esquentam”, escreveu Mário, que morreu por complicações da doença após ficar 14 dias internado.

Segundo a Secretaria da Saúde, a vítima não tinha comorbidades, que são doenças pré-existentes que podem agravar o quadro de Covid-19.

“Ele ficou muito nervoso, porque ele era limpo, organizado, ele ficou estressado com isso. Ai a pressão dele subiu lá pros altos”, falou a viúva Avelina de Sousa.

O Hospital de Campanha do Anhembi tem, em média, um paciente morto a cada dois dias.

De domingo (10) para segunda (11), o hospital do Anhembi já havia registrado mais 4 mortes em 24 horas, o maior número em apenas um dia. Apenas uma morte foi registrada até o momento em outro hospital de campanha da cidade, montado no Estádio do Pacaembu.

O outro hospital de campanha fica no Complexo Esportivo Ibirapuera, sem registros de óbitos.

O número de mortes do Anhembi chama atenção, uma vez que os hospitais de campanha só deveriam receber pacientes com sintomas leves ou moderados da doença.

Nesta quarta-feira (13), 519 pacientes estavam internados no Hospital de Campanha do Anhembi. Dezenove deles em leitos de estabilização. Ou seja, precisavam de atendimento com suporte para casos graves.

O que diz

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, as mortes registradas no Anhembi foram de pacientes que deram entrada com quadros mais leves mas pioraram durante a internação.

Atualmente, 1.325 pacientes conseguiram se tratar e receberam alta.

“Salvamos 99% das pessoas que ai entraram”, disse Edson Aparecido, secretário Municipal de Saúde, explicando que os protocolos de atendimento de pacientes são diferentes no Anhembi e no Pacaembu. E que não pretende mudar isso.