Governo de SP diz que pandemia de Coronavírus está desacelerando

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O governo de São Paulo prevê que o mês de junho terá de 1,7 a 2,4 vezes mais casos de coronavírus do que em maio. No entanto, o comitê de saúde estadual defende que a pandemia está desacelerando porque o aumento é menor que o verificado no mês anterior. O governo paulista afirma ainda que esse crescimento já está previsto no plano que permitiu a flexibilização da quarentena em determinadas regiões do estado.

O aumento esperado para junho é menor do que o registrado em maio, quando houve 3,6 vezes mais casos confirmados da doença, e também inferior a abril, que teve 10 vezes mais casos que em março, segundo o comitê estadual de saúde.

As previsões foram apresentadas nesta quarta-feira (3) em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. Na última quarta (27), o governo anunciou o Plano São Paulo, que permitiu a flexibilização da quarentena em diversas regiões do estado a partir desta segunda (1º).

Agora, uma semana depois do anúncio do plano, o governo estadual revela que a expectativa é que a pandemia continue crescendo, e não diminuindo. Até o primeiro dia de julho, São Paulo deve ter entre 190 mil e 265 mil casos confirmados de Covid-19, revelou o comitê de saúde. A previsão para o total de mortes em junho não foi informada.

Governo de São Paulo espera que casos de Covid-19 aumentem até 2,4 vezes em junho  — Foto: Reprodução/Governo de São Paulo

Governo de São Paulo espera que casos de Covid-19 aumentem até 2,4 vezes em junho — Foto: Reprodução/Governo de São Paulo

Atualmente, há 123 mil casos confirmados e 8,2 mil mortes no estado, segundo dados divulgados nesta quarta pela Secretaria de Saúde.

Na terça (2), os números de novos casos e novas mortes por Covid-19 bateram recordes e foram os maiores em 24h desde o início da pandemia.

O vice-governador Rodrigo Garcia defende que esses dados não são surpreendentes e estão dentro do esperado pelo governo de São Paulo.

“Então esses dois gráficos [com as previsões para junho] mostram de maneira clara que não há surpresa nos números apresentados pela imprensa todos os dias de casos e óbitos, eles estão em nosso cenário e eles fazem parte deste planejamento na área da saúde”, disse o vice-governador nesta quarta.

Garcia afirmou ainda que “a cada cenário que se apresenta, o sistema de saúde se mobiliza”.

“O governo investe mais recursos, mais equipes são contratadas, mais leitos de UTIs são colocados à disposição da população. Então essa é a projeção para o mês de junho, mostrando que nós estamos prevendo chegar no mês de junho entre 190 mil a 265 mil casos e, como consequência disso, teremos a preparação do sistema de saúde”, completou.

Mortes cresceram 23% após anúncio de flexibilização

O governo paulista também apresentou nesta quarta-feira (3) os dados sobre como evoluíram os indicadores de saúde do estado desde o anúncio do Plano São Paulo. Os números mostram que, nos últimos sete dias, houve queda de 1,1 ponto percentual na taxa de ocupação de UTIs, e que o total de leitos a cada 100 mil habitantes melhorou, de 11,8 para 13,3 em todo o estado.

Apesar disso, houve piora no número de casos confirmados, óbitos e internações provocadas pela Covid-19. O total de mortes cresceu 23%, contra um crescimento de apenas 7% no período anterior. O número de novas internações cresceu 4%, um avanço menos acelerado do que o da semana anterior, com alta de 7%.

número de casos subiu 61%, contra um aumento de apenas 10% na semana anterior. O governo atribuiu o crescimento nos casos a um suposto incremento no número de testes processados no estado.

“O primeiro ponto de atenção é a quantidade de casos confirmados, nós também vimos nesses últimos dias um aumento, mas aqui é um ponto de atenção com uma boa notícia, que foi o aumento da testagem”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, ao apresentar os dados.

Indicadores do estado de São Paulo uma semana após anúncio do Plano SP, que flexibiliza a quarentena em determinadas regiões do estado — Foto: Reprodução/Governo de São Paulo

Indicadores do estado de São Paulo uma semana após anúncio do Plano SP, que flexibiliza a quarentena em determinadas regiões do estado — Foto: Reprodução/Governo de São Paulo

Os cinco critérios apresentados nesta quarta para todo o estado são os mesmos utilizados em cada região para determinar a flexibilização ou o endurecimento da quarentena. O governo, no entanto, não divulgou os dados por região, apenas para o estado inteiro.

Um mapa apresentado pelo governo mostra que pelo menos duas regiões do estado tiveram piora significativa nos indicadores usados pelo Plano São Paulo: Bauru e Barretos. As duas regiões estão na fase mais flexível da quarentena em vigor atualmente no estado, mas a tendência é que tenham que endurecer as restrições caso os índices não melhorem nos próximos dias, segundo o governo paulista.