Xuxa vai lançar livro infantil gay e deixa TV Record e Igreja Universal irritados. Pode ser demitida

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O anúncio da produção de um livro infantil com temática LGBTQ+, feito por Xuxa Meneghel, não caiu bem na cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus.

Inspirada no nascimento da afilhada da loira, Maya, filha de um casal de amigas lésbicas, a ideia se deve a toda situação de preconceito que ainda gira em torno da sociedade. Xuxa quer debater o tema e ajudar no esclarecimento do seu público.

Contratada da Record até dezembro, a eterna Rainha dos Baixinhos entrou em contagem regressiva na emissora da Barra Funda – não em razão do livro, pelo contrário. O casamento celebrado em 2015 vinha dando sinais de desgaste desde meados de 2018. Porém, setores da igreja liderada por Edir Macedo tomaram o lançamento da obra como uma provocação.

A Universal nunca perseguiu a comunidade gay e tampouco promoveu o preconceito ou práticas homofóbicas em seus domínios, no entanto, a direção da igreja passa longe de incentivar o que considera “inadequado” sob a ótica da Bíblia.

Dois exemplos são o Carnaval e a Parada LGBT de São Paulo. Embora reconheça a magnitude e importância dos eventos, a Record simplesmente ignora essas datas por não se enquadrarem na cartilha do seu proprietário.

Ao lançar um livro infantil com temática LGBTQ+, Xuxa, de acordo com fontes ouvidas por esta coluna, estaria provocando os bispos em razão do aborrecimento dos últimos meses – a artista considera que prometeram muito à ela e entregaram pouco. Integrantes da IURD julgam que a promoção da obra deveria ser feita após o fim do vínculo da loira, e não agora, ainda como contratada e com sua imagem atrelada à Record.

Pior: o lançamento do material será feito via Globo Livros, em mais um sinal de aproximação de Meneghel de seus antigos patrões, que sempre promoveram as minorias. Além do livro LGBTQ+, a mãe de Sasha prepara uma autobiografia e outras obras infanto-juvenis, todas pelo braço literário do Grupo Globo.

Atritos são antigos

Os arranhões entre Xuxa Meneghel e a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus são públicos e notórios. Para acertar a sua contratação com a Record, a apresentadora precisou “perdoar” uma polêmica promovida pela instituição de Edir Macedo na década de 90.

Em 1992, durante seu auge em programas infantis na Globo, a namorada de Junno Andrade foi objeto de uma “reportagem” preconceituosa e polêmica por parte da Folha Universal, o jornal da IURD. Em matéria de capa, a publicação fez duros ataques à ex-global e sugeriu que ela fez pacto com o Diabo.

Não deu em outra. Meneghel promoveu um oneroso processo contra quem viria a ser seu futuro patrão 23 anos depois. A IURD acabou perdendo em todas as instâncias. Para assinar com a Record, porém, a turma do deixa-disso entrou em cena para promover um verdadeiro armísticio. Durou pouco.