Camas-caixões de papelão serão levadas para Amazônia

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Cama hospitalar de papelão pode servir como caixão. Foto de terça-feira (19)  — Foto: Fernando Vergara/AP

Camas hospitalares de papelão que podem ser usadas como caixões serão doadas à empobrecida Amazônia da Colômbia, na fronteira com o Brasil, que tem sofrido com o avanço da pandemia de Covid-19.

Feitas de papelão ondulado que resiste à umidade, essas camas têm o tamanho de uma maca, mas são mais leves e muito mais baratas. Elas custam 85 dólares (quase R$ 500).

A estrutura recebe uma cobertura especial para melhorar o processo de desinfecção e podem ser recicladas. Resistem a pelo menos 150 kg e têm uma vida útil de meio ano, segundo a agência de notícias France Presse.

Funcionários de empresa que fabricam as camas hospitalares de papelão, em Bogotá, na Colômbia, mostram como ela pode ser utilizada como caixão  — Foto: Fernando Vergara/AP

Funcionários de empresa que fabricam as camas hospitalares de papelão, em Bogotá, na Colômbia, mostram como ela pode ser utilizada como caixão — Foto: Fernando Vergara/AP

Estudos das universidades da Califórnia, Los Angeles e Princeton indicam que o novo coronavírus (Sars-Cov-2) sobrevive até 24 horas no papelão e entre dois e três dias em plástico e aço inoxidável, com o qual são fabricadas as camas de hospital.

O gerente da empresa, que tem sede em Bogotá, contou à Associated Presse que a cama foi desenvolvida após a cidade de Guayaquil, no Equador, enfrentar o caos sanitário e funerário. Sem caixões de madeira, os mortos foram enterrados em caixas de papelão doadas. “Famílias pobres não têm dinheiro para pagar um caixão”, afirmou Rodolfo Gómez.

Região pobre e de maioria indígena

A Amazônia colombiana, de maioria pobre e indígena, conta com um único hospital público com apenas oito leitos de atendimento intermediário e sem terapia intensiva. Só se tem acesso à região de mais de 76,5 mil habitantes de avião.

A Colômbia registrou mais de 16,9 mil casos de infecção e mais de 600 mortes, apontava o balanço da universidade americana Johns Hopkins nesta quarta-feira (20).

A região da Amazônia colombiana tem a maior taxa de infecção para cada 10 mil habitantes do país. Até o início do mês, já tinha registrado mais de 500 casos de infecção pelo novo vírus e mais de 14 mortos.